segunda-feira, 15 de junho de 2009

O NOSSO CEU - Que Nota voce dá.?


Frequentemente, em minhas aulas e palestras, pergunto: - Quem já viu uma faixa esbranquiçada, cheia de estrelas, que corta o céu de fora a fora, a qual chamamos Via Láctea? Até hoje a maioria das pessoas a quem faço essa pergunta nunca a viu.

Essa faixa, que é a visão que temos de nossa própria Galáxia (veja o artigo 'A Via Láctea'), é uma das duas 'coisas' mais bonitas que podemos ver no céu a olho nu. A outra é a nossa Lua; principalmente quando cheia e próxima ao horizonte.

Se você nunca viu a Via Láctea, saiba que você está perdendo tanto quanto se nunca houvesse visto a Lua nas condições descritas acima. A luz da Lua é 'forte' o suficiente para que possamos vê-la mesmo sob péssimas condições de céu. Mesmo em uma cidade como Belo Horizonte, com toda a poluição, principalmente luminosa, característica de uma grande cidade, se a Lua estiver no céu, só não a veremos se houverem densas nuvens.

Já a Via Láctea, apesar de se estender por uma grande área do céu, tem a luz muito tênue. As suas estrelas, em geral, são 'fraquinhas'. Se não tivermos condições adequadas de céu não a veremos. Atualmente, de dentro de Belo Horizonte, só poderíamos ver a Via Láctea se acontecesse um 'black out' em toda a região metropolitana.


Arquivo UFMG
O céu noturno de Belo Horizonte é muito mais pobre em objetos que o mesmo céu visto, por exemplo, de Capitão Andrade (pequena e agradável cidade perto de Governador Valadares). O céu hoje visto de Capitão Andrade é muito mais pobre em objetos que o céu que era visto de lá mesmo, há cinqüenta anos atrás.

Estamos perdendo o céu! Quanto mais luz, partículas e gases jogamos na atmosfera, mais objetos celestes deixamos de ver a olho nu (e os que vemos por telescópio vemos com menos detalhes).

Como será passarmos a vida mal vendo o Sol e a Lua?... Sem vermos estrelas; a Via Láctea e toda a beleza que o céu noturno pode oferecer? Do jeito que as coisas estão indo brevemente a grande maioria da população do planeta estará nessas condições. É possível mesmo que cheguemos ao ponto de precisarmos ir para o espaço para podermos ver o céu.

Vamos deixar isso acontecer?
Temos que rever os nossos conceitos de iluminação artificial; principalmente iluminação publica. Quando verificamos que a luz que polui o céu (a luz jogada para cima) é uma luz inteiramente perdida, também pensamos no meio ambiente. Quanta produção de energia para ser jogada fora (e apagar nosso céu)!

Como está a poluição luminosa em sua região? Que nota você daria para o céu de sua cidade?

Um dos objetivos do comitê organizador brasileiro das atividades comemorativas do 'Ano Internacional da Astronomia' é justamente o de conscientizar as pessoas desse problema e ao mesmo tempo colher dados sobre a poluição luminosa em nosso país. Nos períodos de 20 a 28 de junho; 18 a 26 de julho; 15 a 23 de agosto e 12 a 20 de setembro, estarão sendo realizadas atividades com esse intuito por todo o território nacional.

Nós da UFMG estamos contando com a sua ajuda na classificação da qualidade do céu de nossa cidade. Participe de nossas atividades nas noites de quarta feira de Lua crescente no 'Observatório do Museu' (Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG). Veja a nossa programação para o dia 24 próximo: palestra multimídia; observações por vários telescópios; sessões de planetário e laboratório interativo. E você poderá nos ajudar na determinação da qualidade de nosso céu de uma maneira fácil, divertida e instrutiva. Precisamos da sua ajuda. Quanto maior o numero de participantes, melhor será o resultado desse trabalho.



A animação acima demonstra como você nos ajudará na classificação da qualidade do nosso céu. Em junho, a constelação de Escorpião pode ser vista de Minas Gerais durante quase toda a noite. Ela está a leste no início das noites; no alto do céu por volta da meia noite e a oeste no final das noites.

Um comentário:

J Julinho disse...

Excelente matéria! Mota DEZ.